segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Crônica: O beijo

E por pouco tempo fiquei fora. Alguns dias apenas.
Resolvi publicar a crônica que escrevi pra o jornal do Colégio onde estudo.

Mergulhe no sentido que lhe vier à mente.


O beijo

Numa das viagens no mais espaçoso, rápido e seguro transporte público, vi a mais singela cena dos últimos dias: um filho recostando o rosto num dos ombros da mãe e lhe dando um beijo na bochecha. - Que poder teve aquele garoto nos minutos seguintes do meu itinerário! – Nos balanços posteriores do ônibus, esqueci-me da nota preta que paguei de passagem e dos apertos instantâneos que me colocavam em combate naquele momento, pensei somente no beijo.
Que valor aquilo teria para a mãe? Que valor teria para mim? E para as pessoas em suas rotinas desgastantes? – O ônibus corria. E o beijo corria em meus pensamentos. Estavam em uma espécie de Fórmula One. Ônibus versus Beijo. Rotina versus valor. Uma corrida de estourar pneus e promover arrancadas, afinal o prêmio era de extrema importância...
Continuei em meus pensamentos enquanto a corrida acontecia.  Não quis meter-me nessa espécie de “Speed Racer” inoportuna e fui analisando o beijo enquanto pude. Do latim basium (toque com lábios), a palavra me lembrou que havia me esquecido de beijar minha mãe antes de sair de casa naquele dia, e que também havia me esquecido de abraçar meu pai nas últimas semanas, de agradecer à empregada pelas roupas passadas, de dar bom dia aos vizinhos quando vou trabalhar, de ser educada, humilde... Havia me esquecido até mesmo de sorrir.
O beijo que ocupava meus dias, que me tocava com seus lábios entediantes a cada segundo e que vencia as corridas rotineiras de minha mente vinha diretamente de meu trabalho, de meus estudos, das notícias, da política, do que tinha de fazer dali a frente, do quanto obtive de lucro naquele mês. Meu maior amor e prazer vinham das coisas. Coisas. Simplesmente coisas.
Lembrei-me da corrida. O beijo precisava vencê-la. Para isso, prometi beijar meus pais quando chegasse a minha casa, conversar melhor com meus irmãos e até regar as plantas para a empregada, porém o ônibus passou do meu ponto de descida, fiquei logo estressada e estacionei o beijo meio metro antes da vitória. O ônibus venceu.

Francielly Baliana

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Internauta humano.

É incrível como analiso minha prepotência em estar aqui. Pensando bem, poderia caracterizar esse blog como auto-ajuda. Sinto-me ajudada pelas palavras e definições que postei ao longo de um ano e, além de tudo, sinto-me extremamente, totalmente e até "iludidamente" feliz por esse tempo ter passado tão rápido.

Neologismo é meu sobrenome, portanto não se espante quando uma nova e estranha palavrinha surgir por dentre essas linhas e ademais. É apenas um fato que me descreve. O ato de criar palavras que se encaixam melhor aos momentos que pretendo descrever não me caracteriza como iletrada, mas sim como amante das palavras mais devassas, inocentes e amáveis de todo esse universo.

Vamos começar.

Talvez você não me conheça, incrível leitor, talvez nem eu me conheça mais. E de que isso importa? Se quiser, pare por aqui. Me encare como uma mera machadiana temível, desligue esse seu odiável computador e durma. Vá, viaje em si e descubra- se então. Ou então continue. Não te garanto maravilhas. Honestamente, te pertubarei com incertezas, mas elas valerão a pena, valerão seu tempo, valerão o quanto você mesmo vale. Vamos, mergulhe nesse meu inútil palavreado.

A atitude de te encarar me amedronta. Tenho convivido com seres humanos medonhos e, às vezes, insensíveis. Desse modo, quanto te vejo aqui, paro pra pensar no que sua mente está pensando. Quem sabe seu dia tenha sido como o meu: totalmente comum. Quem sabe você viu TV e cochilou durante a tarde ou passou o dia todo na frente desse computador. Isso não é mera coincidência, querido, pois a maioria dos leitores de blog são internautas assíduos e a internet fica mais junto deles do que a própria  família. E é nesse sentido que quero adentrar em minha conversa na singela metade do mês de janeiro. Sobre Internet.

Quanto ela vale?
Quanto você pagaria pra acessar o Google (que será pago futuramente)?
Quanto tempo você gastou da sua vida vendo coisas inúteis nessa imensa rede tecnológica?

Grandes respostas! Nem queiram saber as minhas. Enquanto penso em responder minhas próprias questões, analisem o que você construiu na internet.
É certo que muitos usam esse meio para trabalhar, estabelecer relações de amizade, estudar, pesquisar, inclusive ler o que estou escrevendo. Se minha mistura de Metalinguagem e autocrítica não fosse importante, nem estaria aqui. Continuando. A propriedade intelectual humana está acomodada. Ninguém consegue mais pensar sem o Google. A EFEMERIDADE da PARADOXA síntese VITAL tem CIRCUNCIDADO o PREPÚCIO "da mente humana". Vá, pesquise no Google o significado dessas palavras!

Agora retomo. Onde foi parar o ato de pensar, olhar contextos e trabalhar o maior bem do corpo humano? Onde está sua mente? procure... quem sabe ela esteja no Google também.

Meu coração faz-se doloroso ao escrever isso. Mas preferiria que, ao invés de estarem lendo minhas simples palavras, estivessem lendo um livro. Sabem o valor de uma capa rasgada duma obra antiga? Inestimável. Entendam. São poucos os que conseguem uma fortuna na internet, seja numa jogada de vídeo, numa investida em um progama ou software. É complicado, mas é simples. Quem sabe o seu dia de milionário internauta chege, mas enquanto isso não acontece, invista em você. Converse, caminhe, faça amigos, conheça pessoas fascinantes em filas de banco, pague micos, dê risadas. Sua vida pode ser um sucesso, basta você fazê-la dessa maneira. Construa seu futuro e use todo a sua inteligência nessa empreitada (é inteligente sim, todos são)...

Minha proposta é que você adentre em suas emoções e faça-as refletirem tudo o que te forma. Conheça-se, antes de conhecer alguém no orkut ou mandar um twitt para alguém famoso. Você é bem mais que todas as redes sociais serão um dia: você é humano e assim sendo, tem o direito de aproveitar a vida sem depender da aprovação de qualquer comunidade da vida...

Você é quem faz a internet existir, mas não exista somente nela. Mostre seu perfil ao mundo real.

Obrigada por me aturarem.
Tentarei estar por perto