segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O monstro

Na caverna escura vivia o monstro.
Não se ouvia gritos
Não se ouvia nada
Apenas um choro invisível
Apenas uma escuridão solitária

E quem passava não olhava
Não entrava
Não falava
E quem passava nem sabia
Que o monstro já saiu à luz um dia

E nesse passeio
Ele viu o Sol
E sozinho, exposto ao brilho
Ele gritou pela primeira vez
Um som que vinha da alma

Gritou pra um mundo
Que ele não conhecia
Ouvir sua voz
Sua voz desconhecida
E voltou.

Voltou à caverna,
Lá se aconchegou
Na poltrona de seus choros.
E quem passava nunca soube
Que um dia o monstro havia de lá saído

Quem passava nunca saberia
Que ele também havia gritado,
E que não só seu corpo
Mas também sua alma
Ao mundo tinham se mostrado

Porque quem passa
Nunca sabe
Nunca para
E cria monstros
Sem saber que eles são poesia.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Por onde andas?

Andei me perguntando por onde andava meu eu. Procurei em casa, nos livros, nos quadros, nos rostos e não encontrei. Estaria ele sozinho? Estaria com fome ou com frio? Devia estar perdido na Filosofia ou na Religião. Quem sabe havia encontrado a imensidão dos sonhos e acabou parando no limbo. Não sei. Mas sentia falta de compartilhar minha alma com ele.
- Meu eu, por onde andas? Estás escondido?
Estava desesperada. Não se sabe quanto tempo pode-se sobreviver sem o próprio eu. Talvez eu não passasse daquela noite. E, se passasse, não duraria até o próximo pôr-do-sol.

E, num insight absurdo, lembrei-me que meu eu havia pegado um trem há algumas semanas. Como pude me esquecer disso?!

Ele viajou, sim. Foi atrás daquele outro eu, o eu daquele alguém: aquele alguém que me deixou.