Na caverna escura vivia o monstro.
Não se ouvia gritos
Não se ouvia nada
Apenas um choro invisível
Apenas uma escuridão solitária
E quem passava não olhava
Não entrava
Não falava
E quem passava nem sabia
Que o monstro já saiu à luz um dia
E nesse passeio
Ele viu o Sol
E sozinho, exposto ao brilho
Ele gritou pela primeira vez
Um som que vinha da alma
Gritou pra um mundo
Que ele não conhecia
Ouvir sua voz
Sua voz desconhecida
E voltou.
Voltou à caverna,
Lá se aconchegou
Na poltrona de seus choros.
E quem passava nunca soube
Que um dia o monstro havia de lá saído
Quem passava nunca saberia
Que ele também havia gritado,
E que não só seu corpo
Mas também sua alma
Ao mundo tinham se mostrado
Porque quem passa
Nunca sabe
Nunca para
E cria monstros
Sem saber que eles são poesia.
Sorridere.
Segura esse sorriso, traz ele pra mim! Vou esperar até o infinito e te abraçar até de manhã.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Por onde andas?
Andei me perguntando por onde andava meu eu. Procurei em casa, nos livros, nos quadros, nos rostos e não encontrei. Estaria ele sozinho? Estaria com fome ou com frio? Devia estar perdido na Filosofia ou na Religião. Quem sabe havia encontrado a imensidão dos sonhos e acabou parando no limbo. Não sei. Mas sentia falta de compartilhar minha alma com ele.
- Meu eu, por onde andas? Estás escondido?
Estava desesperada. Não se sabe quanto tempo pode-se sobreviver sem o próprio eu. Talvez eu não passasse daquela noite. E, se passasse, não duraria até o próximo pôr-do-sol.
E, num insight absurdo, lembrei-me que meu eu havia pegado um trem há algumas semanas. Como pude me esquecer disso?!
Ele viajou, sim. Foi atrás daquele outro eu, o eu daquele alguém: aquele alguém que me deixou.
- Meu eu, por onde andas? Estás escondido?
Estava desesperada. Não se sabe quanto tempo pode-se sobreviver sem o próprio eu. Talvez eu não passasse daquela noite. E, se passasse, não duraria até o próximo pôr-do-sol.
E, num insight absurdo, lembrei-me que meu eu havia pegado um trem há algumas semanas. Como pude me esquecer disso?!
Ele viajou, sim. Foi atrás daquele outro eu, o eu daquele alguém: aquele alguém que me deixou.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Desconhecidas
No caminho do absurdo, o comum de todos os dias, encontro calçadas, casas, curvas e caras, encontro a imensidão da manhã que reluz. E vejo, mesmo sem querer, mesmo sem saber, aquelas mulheres. Não são elas, nem outras, nem quaisquer, são Aquelas. E cada uma delas intriga meu pensamento de todas as manhãs, fazem-me pensar, analisar, tirar conclusões, num período de segundos.
Quando passo, as vejo no portão, paradas, como se esperassem o momento certo para sair, para trabalhar, estudar, não sei. E sempre de branco, parecem enfermeiras, têm cabelos curtos, pele branca e estão sempre juntas, esperando.
Não sei porque me intrigo, não sei porque escrevo, nem porque me arrisco. Sei apenas que quando as vejo, me dá uma vontade imensa de escrever, sem parar, sem saber, porque elas são apenas mulheres que parecem viver juntas, que são desconhecidas do meu mundo e que encenam parte da minha manhã sem ao menos saber que o fazem.
E aqui fico eu, levada pela curiosidade a redigir letras enfadonhas sobre desconhecidos. Desconhecidas.
Pois por menor que seja o valor de cada rosto ou calçada ou casa que vejo todos os dias, eles me trazem até aqui, me movem a mergulhá-los junto comigo nas mais simples palavras.
Quando passo, as vejo no portão, paradas, como se esperassem o momento certo para sair, para trabalhar, estudar, não sei. E sempre de branco, parecem enfermeiras, têm cabelos curtos, pele branca e estão sempre juntas, esperando.
Não sei porque me intrigo, não sei porque escrevo, nem porque me arrisco. Sei apenas que quando as vejo, me dá uma vontade imensa de escrever, sem parar, sem saber, porque elas são apenas mulheres que parecem viver juntas, que são desconhecidas do meu mundo e que encenam parte da minha manhã sem ao menos saber que o fazem.
E aqui fico eu, levada pela curiosidade a redigir letras enfadonhas sobre desconhecidos. Desconhecidas.
Pois por menor que seja o valor de cada rosto ou calçada ou casa que vejo todos os dias, eles me trazem até aqui, me movem a mergulhá-los junto comigo nas mais simples palavras.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Para você
Parece que o tempo passou tão rápido e tudo mudou tão drasticamente. Mas é sempre assim, a vida é um jogo de mudanças e de decisões...
Hoje estou aqui para falar de uma pessoa muito especial. Alguém que eu conheci há muito, muito tempo...
Acho que minha infância foi um dos melhores momentos da minha vida. Tempo de inocência, de verdades brincalhonas, de risadas sinceras... Foi em meio a esses sentimentos que construí uma linda amizade.
Nós bríncavamos sem parar. Fazíamos tudo o que a idade nos permitia, contávamos cada intenção, cada novidade e sensação. Naquela época não tinha muita coisa pra se contar, não havia namoro, nem decisões importantes. A verdade é que compartilhávamos inocências, contávamos nossas vontades e planejávamos como íamos viver no futuro. Pois é, esse futuro chegou.
Hoje, cada uma de nós segue sua vida, têm suas escolhas pra fazer, seus relacionamentos pra entender, e a gente se fala muito pouco. Mas, entendo que o amor não tem medidas, nem tempo, nem palavras, e nem precisa de nada para ser amor. Apenas é. Nossa amizade é assim. É um amor baseado em lembranças e em saudades.
Diferente de mim, minha amiga parece ter encontrado seu grande amor, e eu fico EXTREMAMENTE FELIZ por ela! Sinto que a maturidade nos alcançou e que temos agora a chance de trilhar um caminho muito lindo e feliz.
Daqui a alguns meses posso estar indo em direção ao meu futuro também, dar de cara com uma imensidão de decisões profissionais e amorosas desconhecidas, e então irei sentir falta de todos que podem ficar por aqui. Dela também.
Estou realmente com medo do amanhã, de tudo o que tem me esperado, de todas as coisas que terei que fazer sozinha... e é por isso que agradeço a todos que me fizeram crescer, em todos os sentidos. Agradeço pela amizade, pela compreensão e por todo o amor que me deram.
Dia 19, minha amiga fez 17 anos. E eu não me esqueci. (estava sem seu número no celular, porque troquei de aparelho e perdi tudo, estava sem internet, SHIT!) Maaas, quero dizer a ela que dedico minhas palavras ao seu dia, ao seu aniversário. Minha escrita é tudo o que tenho pra dar agora, mas são letras e frases que vêm do coração, fluem da alma, e me invadem de modo que preciso redigí-las. Minha vida é escrever. Dedico parte do que sou à minha grande amiga Quédma Almeida dos Reis.
Tenho certeza que te amo e espero que nossa amizade nunca morra. À propósito, você tá linda e espero que esteja feliz. Se precisar de mim, sabe onde me encontrar.
PARABÉNS!!!
"E palavras são apenas palavras, mas são vivas, são fortes, e nos fazem dependentes delas. São reflexões que vêm de dentro, vêm da alma."
Hoje estou aqui para falar de uma pessoa muito especial. Alguém que eu conheci há muito, muito tempo...
Acho que minha infância foi um dos melhores momentos da minha vida. Tempo de inocência, de verdades brincalhonas, de risadas sinceras... Foi em meio a esses sentimentos que construí uma linda amizade.
Nós bríncavamos sem parar. Fazíamos tudo o que a idade nos permitia, contávamos cada intenção, cada novidade e sensação. Naquela época não tinha muita coisa pra se contar, não havia namoro, nem decisões importantes. A verdade é que compartilhávamos inocências, contávamos nossas vontades e planejávamos como íamos viver no futuro. Pois é, esse futuro chegou.
Hoje, cada uma de nós segue sua vida, têm suas escolhas pra fazer, seus relacionamentos pra entender, e a gente se fala muito pouco. Mas, entendo que o amor não tem medidas, nem tempo, nem palavras, e nem precisa de nada para ser amor. Apenas é. Nossa amizade é assim. É um amor baseado em lembranças e em saudades.
Diferente de mim, minha amiga parece ter encontrado seu grande amor, e eu fico EXTREMAMENTE FELIZ por ela! Sinto que a maturidade nos alcançou e que temos agora a chance de trilhar um caminho muito lindo e feliz.
Daqui a alguns meses posso estar indo em direção ao meu futuro também, dar de cara com uma imensidão de decisões profissionais e amorosas desconhecidas, e então irei sentir falta de todos que podem ficar por aqui. Dela também.
Estou realmente com medo do amanhã, de tudo o que tem me esperado, de todas as coisas que terei que fazer sozinha... e é por isso que agradeço a todos que me fizeram crescer, em todos os sentidos. Agradeço pela amizade, pela compreensão e por todo o amor que me deram.
Dia 19, minha amiga fez 17 anos. E eu não me esqueci. (estava sem seu número no celular, porque troquei de aparelho e perdi tudo, estava sem internet, SHIT!) Maaas, quero dizer a ela que dedico minhas palavras ao seu dia, ao seu aniversário. Minha escrita é tudo o que tenho pra dar agora, mas são letras e frases que vêm do coração, fluem da alma, e me invadem de modo que preciso redigí-las. Minha vida é escrever. Dedico parte do que sou à minha grande amiga Quédma Almeida dos Reis.
Tenho certeza que te amo e espero que nossa amizade nunca morra. À propósito, você tá linda e espero que esteja feliz. Se precisar de mim, sabe onde me encontrar.
PARABÉNS!!!
"E palavras são apenas palavras, mas são vivas, são fortes, e nos fazem dependentes delas. São reflexões que vêm de dentro, vêm da alma."
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Correria
O tempo passou e meus olhos não viram.
Não vi o tempo, nem os problemas, muito menos os acontecimentos.
Passei o último mês como num pulo dado em uma cama elástica: tudo passou tão rápido, enquanto estava no ar eu podia sentir os problemas e doía um pouco, porque minha respiração estava dificultosa, mas quando caí naquele elástico macio, parecia que nenhuma sensação de pavor havia sequer passado ao meu lado.
Meus problemas parecem ter ido embora. Eram problemas familiares, que me fizeram entender ainda mais a importância do diálogo e a grandeza do amor. Agora, estou bem, bem melhor.
Pra falar a verdade, estou um tanto quanto neutra. Parece que não estou tendo muitos sentimentos. Só ando pensando em jogar vôlei, em passar no vestibular e em ser uma boa profissional.
Quem sabe isso mude daqui a um mês. Vamos, ainda tem muita coisa que preciso sentir e que me faria pensar que estou mais completa, como lembrar que ainda não encontrei o amor da minha vida, ou que preciso viajar boa parte do mundo enquanto estiver respirando...
Deixa pra lá, o tempo vai me encaixar nessas vontades aos poucos, afinal eu sou um pouco maleável. A correria por conseguir estudar tudo o que passou desapercebido e encarar os novos assuntos escolares tem tomado meu tempo. E é assim que deve ser, pelo menos por enquanto.
Não há tantas novidades. Apenas quero ser jornalista, acho que isso muitos (inclusive eu mesma) sempre desconfiaram e quero ser uma pessoa melhor a cada dia.
É um clichê danado, mas é meu momento atual, é minha vida nesse instante.
Não vi o tempo, nem os problemas, muito menos os acontecimentos.
Passei o último mês como num pulo dado em uma cama elástica: tudo passou tão rápido, enquanto estava no ar eu podia sentir os problemas e doía um pouco, porque minha respiração estava dificultosa, mas quando caí naquele elástico macio, parecia que nenhuma sensação de pavor havia sequer passado ao meu lado.
Meus problemas parecem ter ido embora. Eram problemas familiares, que me fizeram entender ainda mais a importância do diálogo e a grandeza do amor. Agora, estou bem, bem melhor.
Pra falar a verdade, estou um tanto quanto neutra. Parece que não estou tendo muitos sentimentos. Só ando pensando em jogar vôlei, em passar no vestibular e em ser uma boa profissional.
Quem sabe isso mude daqui a um mês. Vamos, ainda tem muita coisa que preciso sentir e que me faria pensar que estou mais completa, como lembrar que ainda não encontrei o amor da minha vida, ou que preciso viajar boa parte do mundo enquanto estiver respirando...
Deixa pra lá, o tempo vai me encaixar nessas vontades aos poucos, afinal eu sou um pouco maleável. A correria por conseguir estudar tudo o que passou desapercebido e encarar os novos assuntos escolares tem tomado meu tempo. E é assim que deve ser, pelo menos por enquanto.
Não há tantas novidades. Apenas quero ser jornalista, acho que isso muitos (inclusive eu mesma) sempre desconfiaram e quero ser uma pessoa melhor a cada dia.
É um clichê danado, mas é meu momento atual, é minha vida nesse instante.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Sabe o que você faz?
Existem momentos em que não sabemos bem o que fazer. Existem somas, escolhas, opiniões que parecem não nos deixar de lado.
Mate tudo isso. Mate agora.
Enquanto os nossos pensamentos estão confusos e cheios de ideiazinhas nos sufucando, nada será mais bem aceito do que a morte. Qual morte? A morte do DEVER DE ESCOLHER. Mate o dever. Tudo ficará mais limpo e seguro. Se forem necessárias escolhas, elas devem ser feitas depois que o peso DE ESCOLHER estiver bem longe.
Com a mente limpa a gente pode voar. Voar pra bem longe. Pra qualquer universo, pra qualquer ideia, seja ela fantasiosa ou real. As escolhas serão mais lindas. Serão elas mesmas. É isso que você faz: foge do dever, mas não foge da escolha.
Mate tudo isso. Mate agora.
Enquanto os nossos pensamentos estão confusos e cheios de ideiazinhas nos sufucando, nada será mais bem aceito do que a morte. Qual morte? A morte do DEVER DE ESCOLHER. Mate o dever. Tudo ficará mais limpo e seguro. Se forem necessárias escolhas, elas devem ser feitas depois que o peso DE ESCOLHER estiver bem longe.
Com a mente limpa a gente pode voar. Voar pra bem longe. Pra qualquer universo, pra qualquer ideia, seja ela fantasiosa ou real. As escolhas serão mais lindas. Serão elas mesmas. É isso que você faz: foge do dever, mas não foge da escolha.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Crônica: O beijo
E por pouco tempo fiquei fora. Alguns dias apenas.
Resolvi publicar a crônica que escrevi pra o jornal do Colégio onde estudo.
Mergulhe no sentido que lhe vier à mente.
Resolvi publicar a crônica que escrevi pra o jornal do Colégio onde estudo.
Mergulhe no sentido que lhe vier à mente.
O beijo
Numa das viagens no mais espaçoso, rápido e seguro transporte público, vi a mais singela cena dos últimos dias: um filho recostando o rosto num dos ombros da mãe e lhe dando um beijo na bochecha. - Que poder teve aquele garoto nos minutos seguintes do meu itinerário! – Nos balanços posteriores do ônibus, esqueci-me da nota preta que paguei de passagem e dos apertos instantâneos que me colocavam em combate naquele momento, pensei somente no beijo.
Que valor aquilo teria para a mãe? Que valor teria para mim? E para as pessoas em suas rotinas desgastantes? – O ônibus corria. E o beijo corria em meus pensamentos. Estavam em uma espécie de Fórmula One. Ônibus versus Beijo. Rotina versus valor. Uma corrida de estourar pneus e promover arrancadas, afinal o prêmio era de extrema importância...
Continuei em meus pensamentos enquanto a corrida acontecia. Não quis meter-me nessa espécie de “Speed Racer” inoportuna e fui analisando o beijo enquanto pude. Do latim basium (toque com lábios), a palavra me lembrou que havia me esquecido de beijar minha mãe antes de sair de casa naquele dia, e que também havia me esquecido de abraçar meu pai nas últimas semanas, de agradecer à empregada pelas roupas passadas, de dar bom dia aos vizinhos quando vou trabalhar, de ser educada, humilde... Havia me esquecido até mesmo de sorrir.
O beijo que ocupava meus dias, que me tocava com seus lábios entediantes a cada segundo e que vencia as corridas rotineiras de minha mente vinha diretamente de meu trabalho, de meus estudos, das notícias, da política, do que tinha de fazer dali a frente, do quanto obtive de lucro naquele mês. Meu maior amor e prazer vinham das coisas. Coisas. Simplesmente coisas.
Lembrei-me da corrida. O beijo precisava vencê-la. Para isso, prometi beijar meus pais quando chegasse a minha casa, conversar melhor com meus irmãos e até regar as plantas para a empregada, porém o ônibus passou do meu ponto de descida, fiquei logo estressada e estacionei o beijo meio metro antes da vitória. O ônibus venceu.
Francielly Baliana
Assinar:
Postagens (Atom)