segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Desconhecidas

No caminho do absurdo, o comum de todos os dias, encontro calçadas, casas, curvas e caras, encontro a imensidão da manhã que reluz. E vejo, mesmo sem querer, mesmo sem saber, aquelas mulheres. Não são elas, nem outras, nem quaisquer, são Aquelas. E cada uma delas intriga meu pensamento de todas as manhãs, fazem-me pensar, analisar, tirar conclusões, num período de segundos.
Quando passo, as vejo no portão, paradas, como se esperassem o momento certo para sair, para trabalhar, estudar, não sei. E sempre de branco, parecem enfermeiras, têm cabelos curtos, pele branca e estão sempre juntas, esperando.
Não sei porque me intrigo, não sei porque escrevo, nem porque me arrisco. Sei apenas que quando as vejo, me dá uma vontade imensa de escrever, sem parar, sem saber, porque elas são apenas mulheres que parecem viver juntas, que são desconhecidas do meu mundo e que encenam parte da minha manhã sem ao menos saber que o fazem.
E aqui fico eu, levada pela curiosidade a redigir letras enfadonhas sobre desconhecidos. Desconhecidas.
Pois por menor que seja o valor de cada rosto ou calçada ou casa que vejo todos os dias, eles me trazem até aqui, me movem a mergulhá-los junto comigo nas mais simples palavras.

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