Na caverna escura vivia o monstro.
Não se ouvia gritos
Não se ouvia nada
Apenas um choro invisível
Apenas uma escuridão solitária
E quem passava não olhava
Não entrava
Não falava
E quem passava nem sabia
Que o monstro já saiu à luz um dia
E nesse passeio
Ele viu o Sol
E sozinho, exposto ao brilho
Ele gritou pela primeira vez
Um som que vinha da alma
Gritou pra um mundo
Que ele não conhecia
Ouvir sua voz
Sua voz desconhecida
E voltou.
Voltou à caverna,
Lá se aconchegou
Na poltrona de seus choros.
E quem passava nunca soube
Que um dia o monstro havia de lá saído
Quem passava nunca saberia
Que ele também havia gritado,
E que não só seu corpo
Mas também sua alma
Ao mundo tinham se mostrado
Porque quem passa
Nunca sabe
Nunca para
E cria monstros
Sem saber que eles são poesia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário