segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O monstro

Na caverna escura vivia o monstro.
Não se ouvia gritos
Não se ouvia nada
Apenas um choro invisível
Apenas uma escuridão solitária

E quem passava não olhava
Não entrava
Não falava
E quem passava nem sabia
Que o monstro já saiu à luz um dia

E nesse passeio
Ele viu o Sol
E sozinho, exposto ao brilho
Ele gritou pela primeira vez
Um som que vinha da alma

Gritou pra um mundo
Que ele não conhecia
Ouvir sua voz
Sua voz desconhecida
E voltou.

Voltou à caverna,
Lá se aconchegou
Na poltrona de seus choros.
E quem passava nunca soube
Que um dia o monstro havia de lá saído

Quem passava nunca saberia
Que ele também havia gritado,
E que não só seu corpo
Mas também sua alma
Ao mundo tinham se mostrado

Porque quem passa
Nunca sabe
Nunca para
E cria monstros
Sem saber que eles são poesia.

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